Tuesday, April 17, 2007

Conversas sobre jornalismo, meio digital etc e tal


No último sábado, participei de um evento anual promovido pelo Colégio Porto Seguro, aqui de São Paulo. Chamado de Fórum de Profissões, o encontro reuniu profissionais de diversas áreas. O objetivo era que, ao contarem um pouco de sua experiência nas respectivas carreiras, os convidados ajudassem os alunos – principalmente os do ensino médio – a conhecer um pouco melhor cada profissão. Afinal, muitos deles estão em vias de prestar o vestibular.
Na mesa em que participei também estavam o Chico Pinheiro e a Carla Vilhena, da Rede Globo; Eliseu Lopes, coordenador do departamento de cinema da FAAP; e Edson Gardin, coordenador do curso de Rádio e TV da mesma faculdade.

Já é o segundo ano em que participo desse encontro e mais uma vez gostei muito. É um prazer falar sobre jornalismo e trocar experiências com a garotada. E como o painel do qual participei era bem diversificado – com profissionais de áreas distintas, embora afins–, creio que o bate-papo tenha sido proveitoso para os alunos. Foi possível dar uma visão mais abrangente da comunicação.

A Carla Vilhena,por exemplo, falou de como começou sua carreira no Rio de Janeiro, já em TV, ao passo em que o Chico Pinheiro preferiu falar de maneira mais ampla sobre o jornalismo: a preocupação com o bem comum, a necessidade de o jornalista ter um olhar aguçado para as pessoas e a realidade social, e por aí vai. Percebi que o objetivo dele era cutucar a turma, mostrar que a técnica é o de menos. O que vale é o perfeito entendimento do papel do jornalista e a paixão por exercer a profissão. O Edson, que se lembrou de mim dos tempos de TV Gazeta - quando eu era estagiário e nem trabalhava diretamente com ele, na década de 90 (haja memória!)-, abordou o impacto da TV Digital. Já o Eliseu falou que, se o objetivo é ganhar dinheiro, é melhor pensar duas vezes antes de fazer cinema. Mas se a idéia for seguir o coração, então vá fundo porque o cinema e maravilhoso e fará você feliz. Concordo com ele.


Aproveitei a ocasião para falar um pouco das coisas que me inquietam atualmente, como a profunda transformação na comunicação, especialmente pelo avanço do digital. Estamos em tempos de convergência de mídias, o que muda bruscamente o modo como de produção e de distribuição de conteúdo.

Comentei que pensar no velho paradigma do jornalista de veículo impresso, de rádio ou TV perde sentido no mundo que está se desenhando diante de nossos olhos. Mais: a própria divisão por áreas estanques (você é jornalista, você é arquiteto, você é engenheiro e cada macaco que fique no seu galho) também não pode ser levada tão a ferro e fogo. O mundo do trabalho mudou, as coisas começam a se misturar e o processo de comunicação hoje requisita competências que se complementam.

Em parte isso se deve ao fato de que, com a web 2.0 e o conteúdo colaborativo, alguém que detenha um bom conhecimento de um determinado assunto, domine minimamente as ferramentas tecnológicas e saque o que as pessoas desejam, pode perfeitamente ser um produtor de conteúdo e ganhar dinheiro com isso.Tudo bem, são poucos os que hoje vivem de um projeto empreendedor na área digital, mas a tendência é que esse movimento ganhe corpo.


Duas entrevistas que fiz recentemente para a revista Meio Digital, do Meio & Mensagem (o link só é possível para a edição do ano passado, mediante cadastro no site), me ajudaram a avançar no entendimento desssas questões. Uma delas foi com um professor da PUC, Rogério da Costa (autor do livro A Cultura Digital, editado pela Publifolha). Ele teceu uma análise instigante sobre os efeitos da internet móvel ( o estímulo aos smart mobs de que fala Howard Rheingold). Falarei melhor sobre isso posteriormente.

Por hora, destaco o seguinte: segundo ele, na era digital, o jornalista pode passar a ser a de um orientador de redes sociais,ou seja, aquele que pode conduzir as comunidades no emaranhado digital. Já o professor Walter Lima, da pós da Cásper Líbero– que também entrevistei para o Meio Digital – alerta para a necessidade de o jornalista dominar as interfaces tecnológicas, para ter mais condições de criar produtos (revistas eletrônicas, produtos multimídias etc) inovadores.

Isso aqui dá assunto para mais de metro, principalmente porque estou lendo e vasculhando o tema. Para encerrar: disse para a garotada que o blog e o podcasting que eles fazem, a página do Orkut que mantém, os torpedos que enviam toda hora, a TV digital que em breve chegará à casa deles, tudo isso é matéria para o jornalismo. Quem deseja ingressar na área não pode ficar alheio. E quem está nela muito menos, embora seja comum notar uma grande resistência a essas mudanças em muitos que prestaram o vestibular de jornalismo muitas primaveras atrás.

1 comment:

Val Prochnow said...

Belo texto, argumentos sólidos e reais. Concordo com todas as análises e com os pontos levantados. Mandou bem demais. Pena que o mercado não perceba, muitas vezes, a importância de alguns movimentos e não dá conta de ser tão dinâmico quanto a própria comunicação.